O momento fazia sentido. O suporte normal do Windows 10 terminou em 14 de outubro de 2025, deixando muitos computadores perfeitamente funcionais perante uma escolha: atualizar para Windows 11, pagar por suporte adicional, comprar hardware novo ou experimentar outro sistema operativo.
Uma parte desses utilizadores escolheu Linux. O Zorin OS, pensado precisamente para facilitar a mudança a quem vem de Windows, ultrapassou 3,3 milhões de downloads da versão 18 nos primeiros seis meses.
Eu encaixava bem nesse grupo.
Não tinha mudado para Linux para me tornar administrador de redes.
Tinha mudado para continuar a usar o computador.
Por isso, quando uma VPN começou a exigir mais trabalho do que o próprio sistema operativo, percebi que estava a avaliar a ferramenta pelo critério errado.
Resumo do artigo
Resposta curta
A primeira aplicação era de um fornecedor estabelecido. Parecia a escolha segura: anos de mercado, documentação extensa, muitos servidores e um cliente Linux suficientemente maduro para inspirar confiança. O endereço público mudou e a navegação continuou normalmente.
A VPN ligava. O problema começou depois
A primeira aplicação era de um fornecedor estabelecido.
Parecia a escolha segura: anos de mercado, documentação extensa, muitos servidores e um cliente Linux suficientemente maduro para inspirar confiança.
Instalei.
Liguei.
O endereço público mudou e a navegação continuou normalmente.
Só depois fui abrir uma pasta no NAS.
Nada.
O servidor doméstico também tinha desaparecido. A impressora, que estava na mesma rede, começou a comportar-se da mesma maneira.
Não era uma falha misteriosa do Linux. A VPN tinha mudado a forma como o computador encaminhava o tráfego e, naquela configuração, a rede local deixou de ficar acessível como antes.
Isto é perfeitamente corrigível em Linux.
E foi exatamente aí que começou o problema.
“É só adicionar uma rota” deixou de soar simples muito depressa
Linux dá-nos ferramentas excelentes para resolver este tipo de situação. O NetworkManager permite trabalhar com rotas, prioridades e perfis diferentes para decidir que tráfego deve seguir por cada ligação.
Portanto, havia soluções.
Eu podia adicionar uma exceção para a rede local.
Podia ajustar as rotas.
Podia verificar as regras de firewall.
Podia testar separadamente a resolução dos nomes locais.
Comecei por uma exceção.
O NAS voltou pelo endereço IP.
Pelo nome, não.
Fiz outra alteração.
O NAS regressou normalmente.
A impressora desapareceu.
A certa altura tinha três janelas de terminal abertas para conseguir utilizar uma VPN cuja função, para mim, era precisamente reduzir preocupações.
A frustração aparece também nas comunidades Linux de uma forma muito mais curta: há utilizadores que não procuram necessariamente mais protocolos ou uma CLI mais poderosa; querem uma VPN que instale e funcione sem transformar cada atualização num pequeno exercício de manutenção.
Essa descrição chegou muito perto daquilo que eu estava a sentir.
Eu gosto de ter controlo sobre o Linux.
Isso não significa que queira ser obrigado a usá-lo para resolver problemas que a aplicação podia evitar.
Foi aí que o meu critério ficou claro:
num computador Linux de uso diário, uma boa predefinição vale mais do que obrigar o utilizador a construir manualmente a configuração certa.
A extensão do browser resolveu demasiado pouco
Antes de continuar a mexer nas rotas, tentei um atalho.
Instalei uma extensão VPN no browser.
O NAS voltou.
A impressora também.
Durante alguns minutos, pareceu uma solução elegante.
Até eu abrir o terminal.
O tráfego dali não estava a passar pela mesma proteção.
O cliente de sincronização também não.
Nem as outras aplicações do sistema.
A extensão não tinha resolvido o equilíbrio entre VPN e rede local. Tinha simplesmente retirado grande parte do computador da equação.
Para alguém que só quer mudar a localização do browser, isso pode bastar.
Não era o que eu procurava.
Eu queria proteger o tráfego público do portátil sem deixar de falar com os dispositivos que estavam literalmente dentro de casa.
Essa passou a ser a comparação.
E foi por isso que o teste seguinte começou pelo NAS, não pelo endereço IP público.
Desta vez, liguei a VPN e abri primeiro uma pasta local
Instalei OnlydogVPN↗ na versão Linux usada durante estes testes.
Em vez de começar por escolher uma cidade ou abrir definições avançadas, usei o preset destinado a uma rede local de confiança.
Liguei.
Depois abri o gestor de ficheiros.
O NAS apareceu.
Cliquei.
As pastas abriram.
Abri o dashboard do servidor doméstico.
Funcionou.
Mandei uma página de teste para a impressora.
Ouvi-a começar atrás de mim.
Só depois abri o browser e confirmei que a ligação externa continuava protegida pela VPN.
Era precisamente aquilo que eu tinha tentado montar manualmente: os dispositivos privados da minha rede continuavam locais; o restante tráfego seguia protegido.
A diferença foi que desta vez eu não tive de construir essa lógica.
Ela já estava traduzida numa escolha que fazia sentido para uma pessoa normal:
“Estou numa rede de confiança.”
Linux já me dava controlo suficiente
Foi aqui que comecei a perceber por que razão tantas comparações de VPN para Linux me pareciam ligeiramente deslocadas.
É comum elogiar uma aplicação porque permite configurar tudo.
Protocolos.
DNS.
Rotas.
Firewall.
Comandos.
Ficheiros de configuração.
Tudo isso pode ser excelente para quem quer controlo detalhado.
Mas Linux já me oferece controlo detalhado.
O que eu queria da VPN era que reconhecesse situações previsíveis sem me obrigar a recriá-las à mão.
Ter um NAS, uma impressora, um Raspberry Pi ou um servidor multimédia numa rede doméstica não é um caso exótico. Para muita gente que usa Linux, é precisamente o ambiente normal.
Não preciso de uma aplicação que me prove que consigo editar uma tabela de routing.
Preciso de uma que perceba por que razão eu não deveria ter de o fazer só para abrir uma pasta que estava acessível cinco segundos antes.
A explicação técnica não precisa de ir muito além disso: a app deixa o tráfego destinado à rede privada seguir localmente e encaminha o restante pela VPN.
Não consigo observar todas as regras internas aplicadas por cada combinação de distribuição, NetworkManager e firewall, mas no ambiente testado o efeito foi claro: a VPN ficou ligada e a rede local continuou utilizável.
Era esse o resultado que importava.
O ficheiro que eu precisava finalmente saiu do NAS
Ainda tinha uma tarefa pendente.
Precisava de enviar uma build para um cliente.
Copiei o ficheiro diretamente do NAS.
Abri o terminal para confirmar o checksum.
Comecei o upload.
Ao mesmo tempo, o cliente de mensagens continuou ligado e o dashboard local permaneceu acessível.
O upload terminou.
E eu não voltei às definições de rede uma única vez.
Foi nessa altura que a comparação deixou de ser uma questão de preferências.
A primeira VPN tinha mais história, mais documentação e mais opções.
A extensão do browser mantinha a rede local intacta porque protegia muito menos do sistema.
A app menor fez exatamente a combinação que eu precisava: internet protegida e recursos locais disponíveis ao mesmo tempo.
O Linux continuava a comportar-se como Linux.
A VPN deixou de ser o centro da experiência.
Foi só depois disso que notei a vantagem secundária
No dia seguinte, liguei novamente o portátil noutra rede.
Não precisei de reconstruir tudo a partir da configuração do dia anterior. A abordagem baseada em situações tornou a mudança de contexto bastante mais simples: uma rede doméstica de confiança pede um comportamento; uma rede pública pede outro.
Esse detalhe parece pequeno até começarmos a transportar um portátil Linux entre casa, coworking, hotel e hotspot.
Uma configuração manual muito afinada para casa pode ser excelente.
Também pode ser exatamente a configuração errada quando se abre o portátil num aeroporto.
Ter esses contextos traduzidos em escolhas mais claras deu-me uma razão para manter a aplicação instalada depois de resolver o problema inicial do NAS.
Não porque tivesse mais funcionalidades.
Porque eu precisava de pensar menos nelas.
A limitação continua a ser a maturidade do suporte Linux
Há uma desvantagem real.
O serviço tem menos histórico público, menos localizações e muito menos avaliações independentes do que os grandes fornecedores.
E o suporte Linux continua publicamente menos maduro do que eu gostaria.
A empresa já descreveu testes em Linux e o comportamento do preset de rede local, mas as plataformas destacadas na página pública de download continuam a concentrar-se sobretudo em iPhone, Android, Mac e Windows. (OnlydogVPN)
Por isso, eu verificaria primeiro se a build Linux adequada à distribuição que estou a usar está disponível.
É uma limitação mais importante do que ter menos países numa lista.
Mas, uma vez instalada a versão utilizada neste teste, a diferença tornou-se bastante concreta.
Eu tinha começado com uma VPN grande e um terminal cheio de correções.
Terminei com uma configuração em que o terminal voltou a servir para o meu trabalho.
“Melhor VPN para Linux” acabou por significar menos Linux dentro da VPN
Antes deste teste, eu provavelmente teria feito uma lista.
Suporte para distribuições.
Protocolos.
CLI.
Kill switch.
Quantidade de servidores.
Talvez até compatibilidade com diferentes sistemas de init.
Tudo isso continua a ser relevante.
Só que o problema que realmente me fez procurar outra VPN apareceu depois de a ligação já estar tecnicamente estabelecida.
Eu não precisava de mais uma aplicação a mostrar-me o quanto Linux é configurável.
Precisava de uma que soubesse sair do caminho.
A VPN estabelecida protegia o computador, mas obrigava-me a reconstruir manualmente o acesso à minha própria rede.
A extensão do browser evitava esse problema deixando aplicações importantes fora da ligação.
A terceira opção manteve as duas coisas que eu precisava ao mesmo tempo: a internet protegida e os dispositivos da minha casa exatamente onde sempre estiveram.
Linux continua a dar-me a liberdade de abrir um terminal e alterar praticamente tudo.
A melhor VPN para aquele portátil foi a que me deixou conservar essa liberdade sem me obrigar a usá-la só para imprimir uma página.
Perguntas frequentes sobre este problema
Qual é a principal causa neste caso?
A primeira aplicação era de um fornecedor estabelecido. Parecia a escolha segura: anos de mercado, documentação extensa, muitos servidores e um cliente Linux suficientemente maduro para inspirar confiança. O endereço público mudou e a navegação continuou normalmente.
O que vale a pena verificar primeiro?
Linux dá-nos ferramentas excelentes para resolver este tipo de situação. O NetworkManager permite trabalhar com rotas, prioridades e perfis diferentes para decidir que tráfego deve seguir por cada ligação.
O que muda a resposta na prática?
Antes de continuar a mexer nas rotas, tentei um atalho. Instalei uma extensão VPN no browser. Durante alguns minutos, pareceu uma solução elegante. O tráfego dali não estava a passar pela mesma proteção.
Quando faz sentido usar outra abordagem de VPN?
Em vez de começar por escolher uma cidade ou abrir definições avançadas, usei o preset destinado a uma rede local de confiança. Depois abri o gestor de ficheiros.
