O jogo apareceu durante seis segundos.
Depois a imagem congelou, o áudio repetiu meia frase e o Steam Deck devolveu-me à biblioteca.
Eu estava num hotel, longe do PC de casa, e tinha levado o Deck precisamente para isto: jogar através de Remote Play à noite sem transportar um portátil gaming.
O Wi-Fi parecia suficientemente rápido. No telemóvel, um teste passava facilmente dos 100 Mbps. YouTube funcionava. Os downloads também.
Por isso fiz o mais óbvio.
Baixei a qualidade do Remote Play.
Tentei novamente.
Desta vez durou talvez sete segundos.
Congelou.
Comecei por pensar que precisava de uma VPN mais rápida. Pouco depois percebi que o problema era quase o oposto: eu precisava de uma VPN que me obrigasse a interromper menos o jogo.
No Steam Deck, essa diferença pesa muito mais do que parece.
Resumo do artigo
Resposta curta
No portátil, gerir uma VPN é simples. O Steam Deck funciona de maneira diferente. Mas é precisamente esse o problema: quando estou a jogar, não quero estar no Desktop Mode.
O Steam Deck é um PC até ao momento em que queremos apenas jogar
No portátil, gerir uma VPN é simples. Abro a aplicação, mudo o que preciso e continuo.
O Steam Deck funciona de maneira diferente.
Por baixo do Gaming Mode existe um sistema Linux completo. No Desktop Mode podemos configurar ligações, importar perfis e tratar o aparelho como um pequeno computador. Mas é precisamente esse o problema: quando estou a jogar, não quero estar no Desktop Mode.
Há anos que utilizadores procuram formas de gerir VPNs sem andar constantemente entre os dois ambientes. Ferramentas comunitárias como o TunnelDeck nasceram exatamente para reduzir essa fricção. (TunnelDeck e discussões da comunidade Steam Deck)
Até ali, eu via isso como uma particularidade de utilizadores mais técnicos.
Depois precisei de mudar a VPN a meio de uma sessão.
Deixou de parecer um detalhe.
A VPN conhecida funcionava, mas cada ajuste interrompia o jogo
Comecei por um fornecedor grande que já utilizava noutros dispositivos.
Era uma escolha perfeitamente lógica: muitos servidores, anos de historial público e configurações disponíveis para Linux.
Preparei a ligação no Desktop Mode.
Voltei ao Gaming Mode.
Abri o Remote Play.
Desta vez consegui jogar durante alguns minutos.
A imagem estava aceitável, mas apareciam pequenas hesitações. Num jogo lento talvez passassem despercebidas. Num combate em tempo real, não.
Remote Play precisa de transportar vídeo e áudio do PC e devolver os comandos com pouca latência. (Valve) Uma ligação pode ter largura de banda suficiente e ainda assim produzir uma experiência desagradável quando o atraso varia demasiado.
Era exatamente o que eu estava a sentir.
Voltei ao Desktop Mode.
Troquei a rota.
Gaming Mode outra vez.
Abri o jogo.
Melhor.
Pouco depois, outra sequência de pequenas paragens.
Quando pensei em regressar ao Desktop Mode pela terceira vez, percebi que tinha criado uma tarefa paralela: em vez de jogar, estava a administrar a VPN.
Foi aí que deixei de procurar o servidor com o ping mais bonito.
Comecei a procurar a ligação que exigisse menos manutenção.
O Wi-Fi do hotel tornava cada interrupção mais cara
O hotel também não ajudava.
Como muitas redes públicas, usava um captive portal — aquela página em que introduzimos o número do quarto ou aceitamos condições antes de realmente entrar na internet.
No Steam Deck, este tipo de rede pode acrescentar mais alguns passos, sobretudo quando o portal não aparece corretamente no Gaming Mode. Há utilizadores que acabam por recorrer ao Desktop Mode só para completar o login. (Reddit / r/SteamDeck)
Eu já tinha feito isso ao chegar.
Agora acrescentava outra ida ao Desktop Mode sempre que a VPN precisava de atenção.
Foi essa acumulação, mais do que qualquer problema isolado, que mudou a comparação.
Uma VPN para Steam Deck podia ter centenas de servidores.
Se me obrigava a abandonar o jogo repetidamente para escolher entre eles, esses servidores não estavam a melhorar a minha noite.
Foi então que passei para o OnlydogVPN↗.
Desta vez, a prioridade era continuar no jogo
A abordagem da app menor era diferente.
Em vez de começar por uma longa escolha de servidores e protocolos, comecei pela situação: gaming numa ligação instável.
Liguei.
Voltei ao Remote Play.
Entrei no jogo.
Atravessei a zona onde a imagem tinha congelado anteriormente.
Continuou.
Entrei num combate.
Durante uma oscilação do Wi-Fi, a imagem perdeu alguma nitidez. Depois recuperou.
Os comandos continuaram a responder e eu não precisei de interromper a sessão para procurar outra rota.
Esse foi o momento em que a VPN praticamente desapareceu da experiência.
E era exatamente isso que eu queria.
Eu não tinha comprado o Steam Deck para gerir ligações Linux durante uma viagem. Tinha-o comprado para carregar num jogo e aproveitar uma hora livre.
Parei de olhar para o ping
Antes do teste, eu teria escolhido automaticamente a ligação com o menor número de milissegundos.
Durante alguns momentos, a VPN maior chegou mesmo a mostrar um ping inicial ligeiramente melhor.
Só que o número variava.
Baixo.
Depois alto.
Depois baixo novamente.
No ecrã, essa variação transformava-se em pequenas paragens e comandos com respostas inconsistentes.
A ligação seguinte pareceu-me melhor não porque tivesse vencido um benchmark, mas porque deixou de chamar atenção para si própria.
Carregava num botão.
O personagem respondia.
A imagem continuava.
Foi aí que percebi que, para Remote Play, consistência me interessava mais do que o melhor número visto durante alguns segundos.
A parte técnica pode ficar numa frase
O serviço usa transporte baseado em HTTP/3, obfuscação adicional e mecanismos de recuperação pensados para redes que mudam ou ficam momentaneamente fracas.
Não consigo observar todas as decisões internas de routing do hotel, do fornecedor VPN e da Steam, por isso não atribuo o resultado a uma regra específica.
Do ponto de vista de quem segura o Steam Deck, a diferença foi bastante mais simples.
Com a primeira configuração, uma piora de ligação fazia-me pensar em trocar de servidor.
Com a segunda, a ligação recuperava e eu continuava no jogo.
Isso era suficiente.
Depois o hotel desligou o Wi-Fi
A melhor demonstração acabou por acontecer sem eu a planear.
Pouco depois da meia-noite, o Wi-Fi desapareceu.
Remote Play caiu.
Peguei no telemóvel, ativei o hotspot e liguei o Steam Deck à nova rede.
Eu já estava mentalmente preparado para outra sequência de configurações.
Não foi necessária.
A ligação recuperou através do hotspot.
Reabri Remote Play.
O PC de casa apareceu.
Voltei ao jogo.
Essa mudança de rede revelou a segunda vantagem que realmente me interessou: o Steam Deck é portátil, portanto a VPN também tem de se comportar como se fosse.
Hoje estou no Wi-Fi do hotel.
Amanhã posso estar num aeroporto.
Mais tarde posso usar o hotspot do telefone.
Se cada mudança exige uma sessão de manutenção, a VPN está a tornar menos portátil um aparelho que comprei precisamente pela portabilidade.
“Funciona em Linux” deixou de ser suficiente
A VPN maior continuava a ter vantagens claras.
Tinha muito mais historial, mais servidores e uma documentação técnica mais extensa.
Se eu quisesse configurar manualmente cada detalhe ou escolher entre muitas localizações, essa maturidade teria bastante valor.
Mas “tem suporte para Linux” responde apenas à pergunta da instalação.
No Steam Deck apareceu outra:
depois de instalar, quanto tempo vou passar a gerir a VPN em vez de jogar?
Essa pergunta mudou completamente a ordem das prioridades.
Uma configuração cheia de opções pode ser excelente num computador e tornar-se incómoda quando cada ajuste me tira do Gaming Mode.
Eu não precisava de mais formas de configurar a ligação.
Precisava de menos razões para a abrir.
Foi aí que os relatos públicos começaram a fazer mais sentido
Nas discussões entre utilizadores do Steam Deck, é comum aparecer a mesma fricção: configurar a VPN no ambiente Linux e depois procurar uma maneira de a controlar sem estar sempre a regressar ao Desktop Mode. (TunnelDeck e discussões da comunidade Steam Deck)
Não há nada de errado nessa abordagem.
Para quem gosta de explorar o SteamOS, pode até ser interessante.
Mas eu estava num hotel com talvez uma hora livre antes de dormir.
Cada minuto gasto na configuração era um minuto fora do jogo.
Essa foi a diferença que eu não teria percebido numa tabela de especificações.
No Steam Deck, a melhor VPN foi a que exigiu menos Steam Deck
Se este teste tivesse acontecido num portátil, a VPN maior provavelmente teria sido suficiente.
Eu poderia mudar de servidor numa janela e voltar ao jogo em segundos.
No Deck, cada ajuste custa mais atenção.
Foi por isso que deixei de valorizar principalmente a quantidade de rotas disponíveis e passei a valorizar a capacidade de manter uma rota utilizável sem me obrigar a gerir constantemente a ligação.
A opção maior dava-me mais alternativas quando aparecia um problema.
A menor fez aparecer menos momentos em que eu precisava dessas alternativas.
Para aquela sessão de Remote Play num Wi-Fi de hotel, foi isso que decidiu a comparação.
A melhor VPN para o meu Steam Deck não foi a que me deu mais coisas para configurar no Desktop Mode — foi a que me deixou ficar no Gaming Mode até eu próprio decidir parar de jogar.
Perguntas frequentes sobre este problema
Qual é a principal causa neste caso?
No portátil, gerir uma VPN é simples. O Steam Deck funciona de maneira diferente. Mas é precisamente esse o problema: quando estou a jogar, não quero estar no Desktop Mode.
O que vale a pena verificar primeiro?
Comecei por um fornecedor grande que já utilizava noutros dispositivos. Era uma escolha perfeitamente lógica: muitos servidores, anos de historial público e configurações disponíveis para Linux. Preparei a ligação no Desktop Mode.
O que muda a resposta na prática?
Como muitas redes públicas, usava um captive portal — aquela página em que introduzimos o número do quarto ou aceitamos condições antes de realmente entrar na internet. Foi essa acumulação, mais do que qualquer problema isolado, que mudou a comparação.
Quando faz sentido usar outra abordagem de VPN?
A abordagem da app menor era diferente. Em vez de começar por uma longa escolha de servidores e protocolos, comecei pela situação: gaming numa ligação instável. Atravessei a zona onde a imagem tinha congelado anteriormente.